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O que aprendi no passado e melhorei para o futuro

O tempo passa para todos, e quando se é um atleta, mais rápido ainda. Sua carreira é mais sintética que a de outros profissionais, tendo em vista que o seu material de trabalho é o próprio corpo. E biologicamente falando, não existe a possibilidade nem fórmula mágica para se jogar em alto nível a vida toda, embora vejamos cada vez mais atletas se aposentando mais tarde. Um exemplo disso é o suíço, e maior vencedor de grand-slams, Roger Federer, que, aos 37 anos, ainda é um jogador de primeiro escalão frente a uma nova geração potente e forte.

Fiz parte de uma elite de jogadores durante 15 anos. Com colegas de tour, tivemos o privilégio de viajar o mundo e conhecer pessoas e países diferentes. Naquela época viajar o mundo era algo que só pessoas com muito dinheiro faziam, o que deixava aquela experiência ainda mais especial.

Nós, a “gangue da América do Sul” (como éramos rotulados), viajávamos juntos, fazíamos as refeições nos mesmos lugares, treinávamos uns aos outros, de maneira que fortalecêssemos a nossa união tornando-nos amigos para a vida toda. 

Por um lapso de sorte ou menor exigência do circuito, não sofri com lesões graves. O cronograma anual exigia muito de mim. Em fevereiro partia rumo à Europa onde iniciava a sequência de competições e treinamentos nas mais variadas condições. A temporada europeia durava até setembro, quando iniciavam os torneios nos EUA. Por fim, retornava ao Brasil para descansar junto da família e amigos, recarregar as baterias e iniciar o ano seguinte.  

Olhar para o passado com certa experiência adquirida durante os anos facilita o apontamento de preceitos que, aliados à atual realidade, aumentariam as chances de ter sido um dos três melhores jogadores do circuito.

Nos anos em que fui atleta, a realidade era bem diferente. Para começar, a figura do técnico não era comum entre os jogadores. Também não se falava em um preparador físico para compor a equipe. Essas ausências, consequentemente, impediam que o meu nível de performance escalasse níveis cada vez mais altos.

Um treinador é essencial no desenvolvimento e manutenção do alto nível de um tenista. É por isso que vemos todos os atletas trocando olhares com seus técnicos, sentados em lugares estratégicos durante dos jogos. Além do treinador, um preparador físico é peça fundamental para que o atleta aguente o ritmo de treinos, jogos e viagens. Psicólogo, nutricionista, assessor de imprensa, entre outros, são luxo dos top top players

A tecnologia também faz diferença. Estatísticas, replays, informações passadas e jogos anteriores dão subsídios para uma evolução tanto na parte emocional quanto técnica. Lembro que tudo era manual e, em algumas situações, nem sabia como o meu adversário jogava.

Vivendo na pele uma realidade que veio se transformando ano a ano, cumpri a minha missão de transmitir aos alunos do Prep School o caminho a ser seguido. Sempre usando todas as ferramentas que não pude contar, adequadas à preparação técnica e física na busca do objetivo no jogo de tênis, elevando a evolução.