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O foco no tênis universitário americano

Toda a entrega aos treinamentos e competições me proporcionou a realização de um grande sonho, cursar uma universidade nos Estados Unidos. Definitivamente esta grande oportunidade de estudar onde o ensino é valorizado, o incentivo ao esporte é regra e a educação é levada a sério me animou muito. Isso aconteceu em 1967, quando consegui uma bolsa de estudos. Foi um momento de muita alegria na minha vida e de meus pais quando embarquei rumo a uma nova experiência muito almejada e que renderia bons frutos.  Optei por cursar marketing e, simultâneamente, Educação Física, por gostar do assunto. 

Desde muito cedo o tênis já me movia, e nada mudou até hoje! Nos tempos de escola, as aulas de educação física eram ansiosamente aguardadas. Era claro em mim que o esporte pulsava mais que as atividades intelectuais. Estudava para cumprir o mínimo que era exigido pelos professores, passar de ano não era um grande problema. 

A música era algo relevante naquele momento, quando, com alguns amigos, arrisquei-me em um conjunto musical de nome bastante peculiar para a época: Os Pulguentos. Aos 17 anos deparei-me com a possibilidade de escolher entre ir aos EUA ou ficar no Brasil, colocando, assim, fim à minha trajetória na banda. O momento musical da época apontava para um rumo ao qual não me atraía, tanto pelo estilo “pesado” das bandas, e mais pelo ambiente propício ao uso de drogas, algo que eu tinha pavor.

Curioso que, anos mais tarde, já no circuito profissional, encontrei outros jogadores e colegas que sabiam tocar instrumentos, o que rendeu algumas apresentações em festas de torneios, algo que foi muito divertido de fazer entre amigos.

No ano de 1961 foi quando comecei a sonhar com o tênis. Lembro da arquibancada da quadra coberta do Pacaembu, onde mais parecia a quadra central de Wimbledon, que assisti a um evento exibição com 4 grandes jogadores internacionais do momento.

Já identificado com o que amava fazer, o vice-campeonato brasileiro em meu primeiro torneio da Confederação Brasileira de Tênis, na cidade Piracicaba, em 1962, projetou-me ao cenário do esporte e passei a ser respeitado e mais reconhecido no meio. 

Tudo acontecia de uma maneira muito especial e, nos Jogos Panamericanos de 1963, no Esporte Clube Pinheiros, assisti aos jogos inesquecíveis de Maria Esther Bueno e Ronald Barnes, naquele seu belo gesto ao erguer o seu troféu.

Cada dia mais envolvido com o tênis, o primeiro tão sonhado torneio fora do Brasil aconteceu no Paraguai, em meados de 65, quando tive minha primeira experiência com outros jogadores estrangeiros. 

Em 1969, numa das vindas ao Brasil para passar férias, atuei como juiz de linha nos jogos da Copa Davis, nas quadras do Esporte Clube Pinheiros, entre Brasil x Canadá e Brasil x Espanha, ambos os duelos vencidos pelo Brasil, sem qualquer “ajuda” em nosso favor.

A minha oportunidade de integrar a equipe do Brasil na Copa Davis, pela primeira vez, veio em 1971, quando fui convocado como reserva da equipe, que era composta também por Thomas Koch, Mandarinno e Luis Felipe Tavares. 

Permaneci defendendo as cores do Brasil na Davis até 1987 e, até os 37 anos de idade, joguei como tenista profissional. O ingrediente principal da minha carreira como profissional foi sempre a alegria no coração ao jogar tênis.