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A inovação em treinamento de jovens tenistas no Brasil

Parece que foi ontem, ano de 1967, quando aguardava ansioso em frente ao portão de embarque com o passaporte na mão e um sonho no coração. O destino? Estados Unidos da América.

Não conseguia disfarçar o nervosismo que carregava rumo a algo novo.

Já matriculado numa universidade e em processo de adaptação, familiarizado aos novos ares, iniciei minha trajetória no novo lar dando aulas de tênis em um clube local, aproveitando para ganhar um troco. O que mais me chamava a atenção e me motivava era o sistema inovador de aulas em grupo para a garotada do tênis. Ali, uma semente foi plantada para o que viriam a ser as clínicas de tênis.

Dediquei-me intensamente aos estudos e ao tênis. Cursei Educação Física e Marketing, pois sabia que os estudos seriam os maiores bens em que poderia investir, e assim, já sabendo o que queria, vislumbrei a oportunidade de ensinar às pessoas tudo o que pude aprender. 

No ano de 1973, depois de estudar e jogar fora do brasil, recebi o convite do doutor José Farani para trabalhar na Academia de Tênis de Brasília. Indícios de que algo maior estava por vir. Foi neste período em que participei do meu primeiro curso de tênis lecionado por um assistente de Dennis Van Der Meer. 

Sempre acreditando que poderia transmitir o que aprendia e na possibilidade de mais pessoas trilharem o mesmo caminho, montei uma equipe técnica e em 1976 realizei minha primeira clínica de tênis em Brasília. Que alegria! Meu trabalho atingia mais e mais pessoas diante do pioneirismo e às incertezas que enfrentava frente à inovação de todo o projeto. 

A década de 70 foi o grande divisor de águas. Os centros de treinamento onde os jovens estudavam e jogavam tênis objetivando a ida para universidades fora do país ganhou projeção. Os alunos alimentavam o sonho de estudar e jogar profissionalmente em um lugar além dos limites territoriais brasileiro. 

Entusiasmado com a mensagem que transmitia, no município de Serra Negra/SP, em meados de 1980, iniciei a construção da minha academia de tênis, que, em 1982, já capacitava técnicos do Centro de Treinamento Kirmayr – CTK.

No ano seguinte (1983), muito em virtude do conhecimento angariado nos Estados Unidos e na experiência com a Clínica de Brasília, pude começar o tão relevante trabalho de clínicas de tênis no meu próprio centro de treinamento, onde a concepção era a preparação para a formação de técnicos da modalidade.

Depois de muito trabalho e dedicação na área de capacitação de técnicos e professores, fui convidado, em 1998, a assumir o cargo de Diretor de Capacitação da Confederação Brasileira de Tênis – CBT, permanecendo até o ano de 2004. Durante este período foram ministrados mais de 200 cursos. Não obstante, mais de 3000 técnicos foram capacitados.

Olhando para o passado posso concluir que as experiências de ter participado do programa de tênis universitário nos EUA potencializaram minhas decisões e serviram de base para a implementação do projeto que visa introduzir mais jovens neste universo transformador e promissor, com a bagagem necessária para que encarem todos os desafios que a vida lhes apresentar.